29.11.2025

Translated: Aktuelles

As árvores são a chave para cidades amigas do clima

Planeamento urbano sustentável para cidades amigas do clima: como uma maior cobertura de árvores melhora o clima urbano. Foto: Ramin Alizadeh via unsplash

Planeamento urbano sustentável para cidades amigas do clima: como uma maior cobertura de árvores melhora o clima urbano. Foto: Ramin Alizadeh via unsplash

Num mundo cada vez mais caracterizado pelo crescimento urbano, a conceção das cidades desempenha um papel decisivo na qualidade de vida dos seus habitantes. Tendo em conta, nomeadamente, as consequências das alterações climáticas, torna-se cada vez mais importante integrar as infra-estruturas verdes no planeamento urbano.

As árvores são um elemento notável desta infraestrutura verde, que não só embeleza a paisagem urbana como também oferece benefícios concretos para o clima e a saúde das pessoas. Mas quão sustentável é, de facto, a distribuição de árvores nas nossas cidades? Um estudo recente conduzido pelaUniversidade Técnica de Munique (TUM ) apresenta resultados alarmantes e apela a uma reformulação do planeamento urbano.


Distribuição de árvores nas cidades: uma questão crítica

Um estudo internacional realizado pelo Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT) em colaboração com a TUM analisou o acesso à natureza verde em oito grandes cidades mundiais. O resultado é claro: muitas cidades estão desfavoravelmente posicionadas em termos de distribuição de árvores. Em metrópoles como Nova Iorque, Amesterdão, Buenos Aires, Denver e os centros das cidades de Sydney e Melbourne, menos de 30% dos edifícios estão localizados em zonas suficientemente sombreadas por copas de árvores. Embora o número de árvores seja elevado, a distribuição é desigual. Em Nova Iorque e Amesterdão, nem mesmo os edifícios em áreas densamente povoadas têm sombra suficiente de árvores, embora muitas casas nas cidades tenham vista para pelo menos três árvores.


A regra "3-30-300" como critério para o planeamento urbano verde

Os investigadores do estudo guiaram-se pela chamada regra „3-30-300“, desenvolvida pelo cientista florestal Cecil Konijnendijk. Esta métrica define a forma como a infraestrutura verde das cidades deve ser avaliada:

  • Cada edifício deve ter, pelo menos, três árvores com vista direta.
  • O bairro deve ter pelo menos 30% de cobertura arbórea.
  • E a distância até ao parque mais próximo não deve ser superior a 300 metros.

Curiosamente, apenas algumas das cidades analisadas cumprem estes requisitos. Seattle e Singapura são excepções positivas, onde 45 e 75% dos edifícios, respetivamente, são adequadamente sombreados por árvores. Em muitas outras cidades, no entanto, os números são preocupantes: a falta de uma cobertura arbórea efectiva em muitas áreas urbanas não é apenas uma deficiência estética, mas pode também ter consequências graves para o clima urbano e o bem-estar dos residentes.


As árvores como medida de adaptação climática: arrefecimento através das copas das árvores

Especialmente tendo em conta o aumento das temperaturas devido às alterações climáticas, as árvores nas cidades são essenciais para garantir o arrefecimento. 2023 foi o ano mais quente de que há registo, com mais de 25 por cento da população mundial a registar extremos de calor perigosos. Nesta situação, uma cobertura suficiente de copas de árvores é um fator importante para arrefecer o ambiente urbano e reduzir o stress térmico.

O estudo mostra que as cidades precisam de pelo menos 40% de cobertura arbórea para conseguir uma redução significativa das temperaturas diurnas. Isto significa que o atual valor de referência de „30 por cento“ deve ser visto como um mínimo absoluto. A falta desta cobertura não só tem efeitos climáticos, como também pode levar a problemas de saúde, como insolação, ansiedade ou depressão. Nas zonas urbanas sem acesso suficiente a árvores e espaços verdes abertos, estes problemas são particularmente comuns.


Integrar as árvores no planeamento urbano: o caminho para cidades amigas do clima

Em muitos casos, as práticas actuais de planeamento urbano não apoiam o crescimento saudável das árvores. As estradas e as infra-estruturas de construção, como cabos ou tubagens, têm frequentemente prioridade sobre as necessidades das árvores. Como resultado, muitas árvores são plantadas em condições desfavoráveis – o solo está compactado e o asfalto impede que a água chegue às raízes. Como resultado, as árvores crescem mais lentamente ou são mesmo removidas se colidirem com as linhas de abastecimento.

Os investigadores apelam, por isso, a uma reformulação do planeamento urbano. Em vez de reservar permanentemente áreas para edifícios e estradas, estas deveriam ser redistribuídas em favor de infra-estruturas verdes. Incorporar as árvores mais cedo no planeamento das ruas e dos bairros poderia trazer vantagens decisivas neste domínio. É igualmente importante que as árvores sejam plantadas em zonas com condições de crescimento adequadas. Desta forma, a atual falta de cobertura arbórea suficiente poderia ser rapidamente colmatada.


Os benefícios sociais e para a saúde das árvores nas cidades

A investigação demonstra não só os benefícios climáticos das árvores, mas também os seus efeitos positivos na saúde mental e física dos habitantes das cidades. Está provado que o acesso a copas de árvores com sombra e a espaços verdes abertos tem um impacto positivo no bem-estar das pessoas. As árvores não só melhoram a qualidade do ar e reduzem o risco de inundações, como também ajudam a reduzir o stress, a ansiedade e outros problemas de saúde.


O caminho para cidades mais ecológicas e respeitadoras do clima

Os resultados do estudo sublinham mais uma vez a necessidade de reforçar as infra-estruturas verdes no planeamento urbano. As árvores não são apenas um elemento estético, mas uma componente indispensável do desenvolvimento urbano adaptado ao clima. Por conseguinte, as cidades devem estabelecer objectivos ambiciosos para aumentar a cobertura arbórea e garantir o acesso à natureza a todos os seus habitantes. Só assim poderemos criar um futuro sustentável e habitável para os espaços urbanos do nosso mundo.

Descubra na entrevista com o Diretor-Geral Bert Habrich como os modelos de irrigação móvel da GEFA Produkte® Fabritz GmbH combatem o stress térmico das árvores urbanas – clique aqui para ver o artigo.

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