A presença do Vaticano na Bienal de Arquitetura de Veneza não poderia ter sido mais espetacular: A contribuição da Santa Sé – como é oficialmente conhecida – que participou na Bienal pela primeira vez no ano passado, tornou-se imediatamente um dos pontos altos. Os historiadores de arte Francesco Dal Co e Micol Forti convidaram dez arquitectos a participar. Foi-lhes pedido que projectassem e construíssem dez capelas no parque de quatro hectares da ilha de San Giorgio Maggiore. O Skogskapellet de Estocolmo, de Gunnar Asplund (1919 – 20), serviu de modelo. O projeto não só conseguiu recuperar um parque algo esquecido, mas também realçar melhor as suas qualidades espaciais através da arquitetura. No entanto, ainda não se sabe se as capelas continuarão a ser utilizadas.
Jovens talentos ao lado de grandes nomes
Entre todos os grandes nomes, como Eduardo Souto de Moura e Norman Foster, há também obras de arquitectos mais jovens. Por exemplo, o gabinete espanhol Flores & Prats, que realizou uma espécie de capela florestal contemporânea chamada „A Capela da Manhã“. Os espanhóis conceberam uma parede de grandes dimensões com um nicho elevado e arqueado no lado leste. Várias aberturas circulares captam a luz durante o nascer do sol, que se reflecte nas paredes interiores rebocadas de branco. As diferenças de forma e de cor entre o nicho e a parede criam uma tensão que alterna entre o sagrado e o profano, o monumental e o modesto, o claro e o escuro.

