Que papel desempenham os materiais de construção no que respeita à verdadeira sustentabilidade? Com esta pergunta, damos início à nossa série de três partes sobre o tema da „circularidade“. Desde materiais inovadores como o micélio de cogumelos e o cânhamo até materiais tradicionais que estão a ser repensados: Apresentamos projectos que conservam recursos e abrem caminho para a construção circular.
Capa: Nazih Ilyass | Pexels
Utopia tecnológica
Quando os arquitectos falam de materiais, muitas vezes soa um pouco a alquimia. Por vezes é a pedra do futuro, outras vezes a madeira do momento, outras vezes o barro da Renascença. Mas o que significa realmente um material – para além das pegadas de carbono e das tabelas de capacidade de carga? O material é mais do que apenas um material de construção. É o meio através do qual escrevemos a nossa cultura construída. Molda não só as nossas casas, mas também as nossas atitudes. O betão do período pós-guerra simboliza uma crença no progresso e na funcionalidade. Os novos biocompósitos de hoje? Para o pensamento circular e a utopia tecnológica.
Material com história
Nesta edição, colocamos as grandes questões: serão os novos materiais realmente a chave para a arquitetura circular? Ou será que a verdadeira inovação reside na melhor utilização do que já existe – não reinventando-o, mas compreendendo-o de novo? Atualmente, quem trabalha com materiais não está apenas a conceber estruturas, mas também narrativas.
Contra ou a favor do futuro?
Os projectos desta edição mostram como a utilização dos materiais se tornou multifacetada. O betão não é utilizado como um bloco sólido, mas sim finamente cinzelado e temporário. A argila não é vista como um passo atrás, mas como um material de construção sustentável e de alta tecnologia. E a madeira é – obviamente – celebrada de novo, mas com o conhecimento das suas limitações. O material nunca é neutro. Transporta história – e por vezes culpa. Decide sobre ciclos, sobre beleza, sobre justiça social. E obriga-nos a tomar uma posição: estamos a construir com, contra ou para o futuro?
Esta edição é um convite a um olhar mais atento. Para dentro dos poros do betão, para dentro das fibras da madeira, para dentro do pensamento por detrás da escolha do material. Porque se compreendermos o material
talvez também se compreenda um pouco melhor o que a arquitetura pode ser – e o que deve ser. Porque, no fim de contas, o material não é apenas um meio para atingir um fim, mas
uma expressão da nossa atitude perante o mundo. Mostra como lidamos com os recursos, com a responsabilidade, com a estética. Não separa apenas os encargos, mas também as ideologias. Afinal de contas, quem constrói deve sempre construir com significado. E é exatamente por isso que vale a pena pensar no material – antes de se colocar a primeira pedra.
Espero que gostem de ler – e de sentir os materiais com que o nosso futuro está a ser construído.
Com os melhores cumprimentos,
Tobias Hager
Editor-chefe
t.hager@georg-media.de
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