Numa altura em que é suposto tudo ser mais, convidamo-lo a pensar no oposto: menos pode ser mais – mais sustentável, mais resiliente, mais valioso. Esta edição mostra como a arquitetura se pode sustentar através da escala, da resiliência e da clareza, sem ter de sacrificar o glamour.
Só à primeira vista
delicado. Como muitos materiais de construção
este balão de
balão de modelação revela-se surpreendentemente
robusto, flexível, resistente e
resistente e adaptável a outras
utilização - se for manuseado
se for manuseado com cuidado. FOTOGRAFIA DA CAPA: VRINDA JELINEK/CONNECTED ARCHIVES
De "mais" a "suficiente"
Caros leitores,
Bem-vindos ao novo ano. E bem-vindos a uma época em que as grandes questões se tornaram mais pequenas – não na sua importância, mas na sua forma. Onde antes o „mais“ era a força motriz, hoje o „menos“ está a ocupar o lugar central. Nenhuma época construiu tanto como a nossa. E talvez seja precisamente por isso que é altura de pensar no oposto: no suficiente.
Suficiência: moderação em vez de renúncia
Suficiência – uma palavra pesada com um poder explosivo silencioso. Não significa renúncia, mas moderação. Não é ascetismo, mas adequação. E é mais do que uma necessidade ecológica. É uma atitude cultural. Não se pergunta: que mais podemos construir? Mas sim: O que é realmente necessário para que a arquitetura seja sustentável – ecologicamente, socialmente, esteticamente?
Resiliência: arquitetura que perdura
A resiliência, por outro lado, descreve a capacidade de lidar com a mudança. Não rígida, mas elástica. Não é ingénua, mas robusta. Uma arquitetura resiliente não conta com o estado ideal, mas com o desvio. Sobrevive a falhas de energia, faltas de material e mudanças de utilizador. Não permanece perfeita – mas resiste.
Simplesmente construir - mostrar atitude
Juntos, a suficiência e a resiliência formam um par forte. Representam uma arquitetura que não está comprometida com o glamour do novo, mas com o valor do que já existe. Uma arquitetura que não consome apenas recursos, mas que os respeita. Que está menos interessada na imagem e mais no impacto. Não como uma afirmação, mas como uma estrutura.
Esta edição é um convite a pensar de forma diferente. Mais pequeno. Mais inteligente. Mais longe. Trata-se de uma arquitetura que não brilha, mas que segura. Não provocativa, mas protetora. Trata-se de „construir com simplicidade“ – não como uma redução ao barato, mas como uma concentração no essencial. Aqueles que constroem com simplicidade não renunciam à qualidade – optam conscientemente pela relevância.
A clareza como prelúdio arquitetónico
Talvez seja este o prelúdio arquitetónico adequado para o ano 2026: um regresso ao que é importante. Um novo desejo pelo essencial. Uma revolução silenciosa nos padrões. Porque a simplicidade não é simples. Não é uma falta de ideias, mas uma certa abundância de clareza. Os que constroem com simplicidade não reduzem – concentram-se. No que conta. E é exatamente aqui que a atitude entra em jogo.
Desejo-vos um ano novo esclarecedor, estável e resiliente. E espero que gostem de ler esta revista, que pretende mostrar como a arquitetura pode conseguir mais com menos.
Atenciosamente, Tobias Hager
Editor-chefe t.hager@georg-media.de
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